O Transplante


Aqui você terá noções básicas
sobre transplante capilar.
 
A TÉCNICA PASSO A PASSO - ÁREA DOADORA (AD)

A área doadora (AD) é a região que doará os fios a serem transplantados para a área receptora calva (AR). Como não possuem o código genético para a calvície, os fios doados da área doadora (AD) para a área calva, nunca mais cairão.
A área doadora é uma fonte finita e esgotável, ou seja, a cada cirurgia ela se torna menor.


Área doadora

Importante: A área doadora diminui com o passar dos anos à medida que a calvície aumenta.




Portanto, devemos ser extremamente cautelosos ao programarmos a cirurgia, pois num paciente jovem em início de calvície o quadro que se apresenta não traduz a realidade, já que sua calvície sofrerá evolução e à medida que ela evolui, sua área doadora fica menor e sua área calva maior. Corre-se o risco, por exemplo, de estar removendo uma área que cairá no futuro quando a calvície progredir sendo assim, esse cabelo transplantado também cairá, e pior ainda, a cicatriz da área doadora ficará aparente na região da coroa.

Análise da área doadora

Como todo resultado está baseado na qualidade e quantidade da área doadora, devemos realizar essa análise de forma minuciosa, segundo vários critérios:

1. Volume capilar
Está mais relacionado ao tipo de cabelo. Quanto mais finos, lisos e claros forem, menor o resultado em termos de volume.

2. Densidade capilar
É o fator mais importante a ser analisado na área doadora. A densidade varia de paciente para paciente dependendo:

A. Porcentagem de Unidades Foliculares (UFs)
Como vimos anteriormente, os fios não emergem do couro cabeludo um a um, mas sim em grupos de 1, 2 e 3 fios, denominados unidades foliculares.

Área Doadora – visão microscópica com aumento de 50 vezes

Unidades Foliculares:  1 Fio, 2 e 3 Fios

O paciente que possuir em sua área doadora maior porcentagem de unidades foliculares de 3 fios, irá obter maior resultado em termos de volume.
Aquele que possuir maior porcentagem de unidades foliculares de 1 e 2 fios ao invés de 3 fios, terá um resultado com menor volume.

Façamos uma analogia:
Imagine uma floresta em que 80% das árvores contenham 3 galhos e 20% dessas árvores tenham 1 e 2 galhos.


Floresta com árvores de 3 galhos

Já em outra floresta, ocorre o inverso onde 80% das árvores contem 1 e 2 galhos e somente 20% delas possuem 3 galhos.


Floresta com árvores de 1 e 2 galhos

Sobrevoando as duas florestas, notaremos que o solo estará menos visível naquela que possui maior porcentagem de árvores com 3 galhos.


Floresta com árvores de 3 galhos


Floresta com árvores de 1 e 2 galhos

O mesmo efeito ocorre no couro cabeludo. As pessoas que possuem maior quantidade de unidades foliculares de 3 fios, tem maior densidade do que aquelas que possuem menor quantidade destas unidades.

Área doadora com ALTA DENSIDADE

Área doadora com unidades de 3 fios
Área doadora com BAIXA DENSIDADE

Área doadora com unidades de 1 e 2  fios

B. Distância entre as Unidades Foliculares - Quanto mais próximas as Unidades Foliculares estiverem umas das outras, maior a densidade, ou seja, quanto mais próximos os fios, melhor a densidade. Para que você tenha idéia, o número de unidades foliculares pode variar de 50 a 100 por cm², dependendo de cada paciente e de cada área.

Área doadora com ALTA DENSIDADE

Unidades Foliculares com distância menor
Área doadora com BAIXA DENSIDADE

Unidades Foliculares com distância maior


Analisemos a seguinte situação:

Paciente A: Possui 100 Unidades Foliculares por cm² das quais:

50 Unidades Foliculares possuem 3 fios _________
30
Unidades Foliculares possuem 2 fios _________
10
Unidades Foliculares possuem 1 fio __________
50 x 3 = 150
30
x 2 = 60
20
x 1 = 20

Paciente B: Possui 50 Unidades Foliculares por cm² devido a distância entre elas ser maior. Deste Total:

20 Unidades Foliculares possuem 3 fios _________
20
Unidades Foliculares possuem 2 fios _________
30
Unidades Foliculares possuem 1 fio __________
20 x 3 = 60
20
x 2 = 40
30
x 1 = 30


Notaram a diferença? O paciente B possui 100 fios a menos do que o paciente A numa área de mesmo tamanho, portanto ele não terá o mesmo resultado em termos de densidade, ou “enchimento e cobertura”, do que o paciente A.

Vejam esses exemplos abaixo de 3 pacientes distintos com áreas doadoras de baixa, média e alta densidade.




C. Elasticidade

Quanto maior a elasticidade da pele na região da área doadora, mais larga poderá ser a remoção da mesma, conseqüentemente, maior o número de folículos obtidos.
Utilizamos um aparelho que nos dará a medida máxima exata que pode ser removida. Se for removida uma área mais larga, poderá haver tensão no fechamento e alargamento da cicatriz e falha na área removida.


Este é um item muito importante na programação da cirurgia, pois uma marcação correta permite aproveitar ao máximo a área doadora, bem como posicionar da melhor forma possível a cicatriz resultante, para uma possível futura sessão. Em uma primeira cirurgia a marcação deve ser feita o mais baixo possível, respeitando uma distância mínima da nuca para que a cicatriz não fique evidente ou alargue.


Área Doadora Marcada

Temos optado por um comprimento mais longo, que se estende de orelha a orelha, e largura fina. Em geral esta área mede 32 a 37cm de comprimento por 1 a 1,5cm de largura dependendo da elasticidade do couro cabeludo. Desta forma, não apenas aproveitamos melhor a área doadora como diminuímos a tensão quando do seu fechamento, tornando-o mais fácil e gerando uma cicatriz imperceptível, além de mantermos a elasticidade para possíveis sessões seguintes.

Logo após a cirurgia não haverá nenhuma falha perceptível, pois a região onde os cabelos foram cortados será camuflada pelos fios mais longos. Por isto, nunca se deve cortar o cabelo além dos limites da área que será removida para não causar falhas na região após a cirurgia. Em alguns casos transplantamos os fios já longos. (clique aqui para saber mais).

Após a análise do resultado entre 9 e 12 meses, caso o paciente opte por realizar uma nova cirurgia para aumentar o volume, utilizaremos a mesma cicatriz como limite inferior. Ou seja, independente do número de cirurgias, a cicatriz resultante deve ser uma só. Daí a importância de uma correta marcação quando da primeira intervenção.

É importante lembrar que a cada sessão a área doadora ficará menor, sendo assim, ela é uma fonte finita e esgotável.

Remoção da área doadora

Nesta etapa é utilizado um travesseiro especialmente desenvolvido para proporcionar maior conforto ao paciente.

A remoção da faixa de couro cabeludo que doará os fios (AD) deve sempre ser feita com bisturi ou lâmina e NUNCA com punchs, máquinas ou “canetas”. Deve ser realizada com muita cautela para evitar dano dos bulbos.

Ela deve ser profunda o suficiente para alcançar o bulbo capilar e o mais superficial possível para não causar danos às estruturas profundas.

Área Doadora removida e seu corte transversal (sliver)

Remoções e retiradas com punches, agulhas, hand engine, canetas e outros são totalmente condenáveis porque danificam a área doadora e causam perda significativa do número de bulbos capilares, além da seqüela estética.

Fechamento da área doadora

Após remoção da Área Doadora (AD), procedemos seu fechamento aproximando os bordos e unindo novamente fio com fio. Com isto, camuflamos totalmente a cicatriz resultante, deixando-a imperceptível já ao final da cirurgia.
Temos dado preferência pela sutura com fio biodegradável para que os pontos não precisem ser retirados no pós-operatório, proporcionando muito mais conforto ao paciente.

O aspecto deve ser normal e sem falhas assim que a cirurgia termina mesmo com os cabelos molhados.

Área doadora marcada
Área doadora ao final da cirurgia

Cicatriz

Assim que a sutura da área doadora é finalizada, a cicatriz já é imperceptível, pois estará camuflada pelos cabelos.

Ou seja, não se preocupe com o aspecto visual da cicatriz, pois essa não será notada.

A área transplantada fica mais evidente que a cicatriz, pois ficará levemente avermelhada.

Realizamos geralmente a sutura com fios biodegradáveis os quais não necessitam de remoção e caem espontaneamente entre 10 e 20 dias.

Nos primeiros três meses, a cicatriz apresenta-se avermelhada e ainda com algumas alterações de sensibilidade como coceiras e anestesia.

À partir do quarto mês, ela começa a clarear, adquirindo a cor da pele entre 6 meses e 1 ano de pós-operatório. Nesse período, as alterações de sensibilidade também cessam.

Após 12 meses de cirurgia, a cicatriz é imperceptível, mesmo com os cabelos muito curtos.

Em alguns casos, apenas uma fina linha pode ser vista levantando-se os cabelos ou se esses estiverem muito curtos com 1 cm ou menos.

Sutura Tricofítica

Consiste em desepitelizar, equivalendo a tirar somente a pele e deixando os bulbos de um dos bordos da sutura, antes do seu fechamento. Dessa forma, os cabelos crescerão dentro da cicatriz, camuflando-a e tornando-a imperceptível mesmo com os cabelos muito curtos.

cicatriz normal



sutura tricofítica

Se uma nova sessão para aumentar o volume for necessária, tentaremos sempre remover na mesma cicatriz, salvo alterações de elasticidade que nos forcem a criar uma nova cicatriz.

IMPORTANTE: lembre-se de que a área doadora é uma fonte finita e esgotável e não tem, como muitos imaginam, o poder de regeneração. Portanto, a cada sessão ela se torna menor.

O processo de cicatrização

Toda cicatriz sofre um processo de evolução e amadurecimento: logo após a cirurgia e até 10 ou 15 dias, ela apresenta-se fina, clara e muito pouco perceptível. Posteriormente, ela começa a ficar cada vez mais avermelhada.

Essa vermelhidão alcança seu ponto máximo no terceiro mês e depois começa a regredir podendo levar até dois anos para clarear totalmente. Este prazo é variável conforme o tipo de cicatrização de cada pessoa. Durante esse período geralmente ocorre alteração de sensibilidade como coceira e até dor discreta.

Obs.: O processo de cicatrização varia de paciente para paciente, assim sendo, em alguns casos mesmo utilizando a mais moderna tecnologia e realizada por mãos muito experientes, a cicatriz pode alargar, permanecer avermelhada ou mesmo ocorrer formação quelóide (caso raríssimo no couro cabeludo).

Nesses casos, pode-se fazer um retoque da cicatriz após seis meses de cirurgia, aproximando novamente os bordos e melhorando o aspecto da cicatriz.
Essas intercorrências podem ser tratadas e atenuadas, porém o aspecto final da cicatriz é individual.

A vantagem do aspecto da cicatriz na cirurgia de Transplante Capilar, é que ela sempre poderá ser facilmente escondida pelos cabelos mesmo que esses estejam muito curtos.


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Ant.: A Consulta
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